quinta-feira, 12 de maio de 2011

Durkheim, Deleuze e a Filosofia: quebrando o senso comum (pseudo)acadêmico.

"Isso pode parecer uma pretensão audaciosa, mas não me desculpo por ela." (Popper, Conhecimento Objetivo. Introdução) 

Durkheim, apesar de ter se formado em Direito e Economia, não se centrou no estudo da sociologia. 
Digo isso, pois, a sua época, o termo ainda não estava cunhado. Coube ao próprio Durkheim - ao contrário do que um certo senso dito "comum" dentre os acadêmicos (se é que assim podemos chamá-los), afirmando que foi Auguste Comte o criador do termo.
Ora, é claro que Durkheim se centrou nessa nova ciência que estava sendo criada e que muito ganhou com sua contribuição. Mas a tarefa que tomou lugar central em seus estudos, em suas observações, problematizações etc, foi uma: o questionamento. A Filosofia.
Muito se diz sobre a tal Filosofia, em cursos e aulas que fazem uso a um já "cliché": apresentam o termo (filo + sofia = amigo da sabedoria); um pouco de sua História clássica (e cá pra nós, bem pouco): Tales de Mileto, Gregos, sofistas e blá, blá, blá; e nos fazem aceitar, sem maiores explicações, que seu objeto (ou pelo menos a sua atuação) é o questionamento. De quê? De tudo. Lindo. Todos voltam para sua casa sentindo-se uns Heráclitos, Parmênides, Sófocles, Demócritos e tantos outros.

Mas veja: Durkheim, ao realizar sua tarefa, questionou o quê? E com quais pressupostos?
Ora, a resposta é muito simples: ele se utilizou daquilo que estudou, o Direito e a Economia, ambos ciências que possuem como objeto, em última análise, a sociedade e suas produções (normativas e "financeiras").
A impressão que nos dá essa organização passada pelos nossos professores, numa análise mais profunda, é que a filosofia não é muito, não é ampla. É pouco. Deleuze afirma:
"Parto do princípio de que eu faço filosofia e vocês fazem cinema. Admitido isso, seria muito fácil dizer que a filosofia, estando pronta para refletir sobre qualquer coisa, por que não refletiria sobre o cinema? Um verdadeiro absurdo. A filosofia não é feita para refletir sobre qualquer coisa. Ao tratar a filosofia como uma capacidade de “refletir-sobre”, parece que lhe damos muito, mas na verdade lhe retiramos tudo. Isso porque ninguém precisa da filosofia para refletir. As únicas pessoas capazes de refletir efetivamente sobre o cinema são os cineastas, ou os críticos de cinema, ou então aqueles que gostam de cinema. Essas pessoas não precisam da filosofia para refletir sobre o cinema. A idéia de que os matemáticos precisariam da filosofia para refletir sobre a matemática é uma idéia cômica. Se a filosofia deve servir para refletir sobre algo, ela não teria nenhuma razão para existir. Se a filosofia existe, é porque ela tem seu próprio conteúdo.
Qual é o conteúdo da filosofia?" (Gilles Deleuze, O Ato de Criação).
A resposta o próprio Deleuze nos dá, num ato de pura benevolência:
"Muito simples: a filosofia é uma disciplina tão criativa, tão
inventiva quanto qualquer outra disciplina, e ela consiste em criar ou inventar conceitos."
Criar conceitos.
Diga-me, agora, a esta altura de sua profunda leitura deste simplório texto: O que Durkheim tem haver com o termo "Sociologia"?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Incontrolável









Sou o incontrolável.
O desmedido, que afaga sem permissão, que se aproxima sem ser chamado, que faz sem ser pedido.
Sou o que lhe empresta a atenção mesmo sem querer, mesmo sem que se rogue.
Aquele que fala sem saber e que sabe mas não fala.
Quem sai da titónia cansado e chega ao ocaso desperto.
Sou o incontrolável.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Compulsão procrastinadora

      
        Uma formiga toma sua atenção - ou o pouco que restava dela - ao passar pela parede ao lado. São 01:50. Seus olhos arranham... Na TV um filme francês que já passou, ao menos, duas cenas de sexo. No computador, trabalho, lazer e música.
        Nos fones de ouvido, nostalgia; na ponta dos dedos, a construção do futuro; na mente imediata, a compulsão procrastinadora. Prova no dia seguinte. Mais uma formiga - na parede à frente, agora. Trabalho para daqui um dia. Acordar cedo, pensar em quê fazer no dia: programar-se.
        Sede; tempo frio. O copo que me serviu água há pouco, agora é fonte de gotas para mais formigas: alaranjadas, grandes e rápidas.
        "Preciso ler a Odisséia; preciso estudar, ficar em dia com a matéria", pensa. Fósforos ao lado; grampeador; cinzeiro; café. Café... mata a sede e alimenta!
        Uma notíca num sítio, um blog em outro, um download de um filme que demorarei a ver. Piadas, vídeos engraçados. Meu blog, meu vlog, meu canal no youtube, twitter, orkut, facebook, formspring.me, twitpic. Quero minha vida de volta!
        Um barulho... Devem ser mais formigas.
        Preciso estudar, mas as formigas não deixam.

Primeiro contato

          Começo hoje, sozinho - espero que por pouco tempo -, a escrever neste Blog, a criá-lo. Não sei ao certo o porquê de começar isso só hoje: talvez por sentir entusiasmo ao seguir outros blogs; talvez por ter idéias diferentes e querer mostrá-las. Mas, como disse, espero construí-lo em companhia de alguém ( ou alguéns - SIC).
          Eu sou o Forminha, alusão a "clichê", aventureiro por compulsão, hiperativo-preguiçoso, chato de galochas. Curto MPB e metal, samba e folk-irish, anti-folk e erudito. Gosto de filmes que ninguém conhece; de chocar as pessoas; e de conversar sozinho. Amo pizza, assim como chocolate (e os dois juntos também). Faço Direito (e odeio a piada) e estudo francês atualmente.
           Não espero que alguém leia e vire seguidor do Blog. Mas se virar, o problema é seu: eu avisei para manter sua mente longe daqui.

Abraccio.

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Afim de ver "Antes que o Diabo saiba que você está morto";
No Mp3, "Flymore";
E fissurado em "vitamina" de abacate (batido com leite e açúcar, apenas).